terça-feira, 1 de março de 2011

CARNAVAL E HISTÓRIA: VISTA SUA FANTASIA E TOME UM BANHO DE CULTURA!

Para quem não gosta ou nunca se interessou por assistir aos desfiles das escolas de samba, principalmente as do Rio de Janeiro, já que se trata de uma verdadeira indústria no quesito profissionalismo, não percebe o grande desperdício de cultura que está sofrendo. Para alguns, Carnaval é sinônimo de orgia, mulheres semi ou totalmente nuas, desfiles e sambas repetitivos, enfim, sem acréscimo algum do ponto de vista cultural. Bom, confesso que sou verdadeiramente aficionado pelos desfiles e explico os meus motivos.

Desde criança acompanho pela televisão os desfiles das escolas de samba com a família reunida. E na minha mente infantil me empolgava com o ritmo dos sambas e com as alegorias maravilhosas, em especial a Águia da Portela.

Mais tarde, fui percebendo que, além de ser um período festivo e animado, os desfiles carnavalescos propiciavam uma riqueza de conhecimento dentro de temas que, com absoluta certeza, uma grande parcela da população jamais iria ouvir na escola ou em qualquer outro lugar. É um belo exemplo democrático de conhecimento cultural. Posso elencar alguns temas de mais de vinte anos atrás interessantes, como o “Mamãe eu quero Manaus” (Mocidade Independente de Padre Miguel, 1984) no qual faz alusão ao modelo Zona Franca e seus produtos importados; “Kizomba, a Festa da Raça” (Vila Isabel, 1988), o qual exaltava o centenário da libertação dos escravos, “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!” (Imperatriz Leopoldinense, 1989), enredo referente ao centenário da Proclamação da República, e os enredos sempre criativos e pesados da Beija-Flor, como o de 2008 “Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas no Meio do Mundo”. E por falar em Beija-Flor, quem acompanha os desfiles, ainda deve guardar na memória o impacto causado por essa agremiação no ano de 1989 com o seu enredo "Ratos e Urubus, larguem minha fantasia". A Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro soube que a escola traria o Cristo Redentor em seu abre-alas. O arcebispo conseguiu que a justiça proibisse a alegoria de ser mostrada. No dia do desfile, Joãosinho Trinta apresentou o Cristo coberto em plástico e com uma faixa onde lia-se: "Mesmo proibido, olhai por nós". Embaixo dele uma gigantesca ala de mendigos num tema que abordava o lixo e o luxo da vida brasileira. Isso nos prova que Carnaval também pode ser sinônimo de rebeldia, por que não?
E segue assim. Na apoteose do samba já aprendi e viajei em enredos críticos, sociais, irreverentes, políticos e acima de tudo, históricos do Brasil e do mundo. Após concluir a faculdade de História percebi que os sambas-enredos poderiam ser muito bem utilizados como mais um recurso para o professor. Por exemplo, no ano 2000 todos os sambas das escolas do grupo especial (devido a um acordo entre as escolas de samba) tiveram como tema a comemoração dos 500 anos do descobrimento – ou achamento - do Brasil. Cada escola tratou de um período histórico do nosso país. Das Grandes Navegações ao impeachment de Collor, a passarela do samba nos brindou com uma bela retrospectiva histórica.

Neste ano de 2011, mesmo com o fatídico episódio ocorrido no início do mês de fevereiro nos barracões da Grande Rio, Portela e União da Ilha, o desfile promete. Aproveitem: teremos “aulas” sobre Nelson Cavaquinho, Maria Clara Machado, curiosidades sobre o cabelo na história, Roberto Carlos, Zé do Caixão, agropecuária, DNA e tantos outros.

Obviamente que toda regra tem a sua exceção. Não serei ingênuo de não perceber os interesses que existem por detrás de alguns temas, isso é óbvio. Ainda mais por se tratar de uma verdadeira indústria de samba e, como tal, totalmente inserida no capitalismo. Neste momento temos que “separar o joio do trigo”, perceber e ter cuidado com temas que não acrescentam em nada, como foi o caso da Grande Rio no ano passado que, ao abordar os 25 anos de sambódromo, na verdade queria dar publicidade à marca de uma famosa cerveja que possui um camarote exclusivo na Marquês de Sapucaí.

Mas, mesmo com o Carnaval imerso no capital, ainda temos como tirar-lhe proveito. Sempre haverá uma informação ou curiosidade que complementarão o nosso prévio conhecimento. Isso é fato.

Por isso continuo afirmado que o meu desejo é continuar matriculado como eterno aluno das escolas paralelas mais divertidas e culturais que existem: as escolas de samba!

Desejo a todos um bom Carnaval – sem excessos – e até a próxima semana!


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6 comentários:

  1. Banho de cultura mesmo... Parabéns Arthur!!

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  2. Muito bom, já adicionei o blog nos meus favoritos... Sugestão que você acrescente a sua biografia no site (eu não achei). Saudações, Peterson.

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  3. Meu grande amigo Peterson! Agradeço a sua visita e fico lisonjeado por fazer parte dos seus sites favoritos.
    Em relação à minha biografia, sugestão aceita!
    Um abraço!!

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  4. apoiadissimo acho muito importante esse incentivo para o carnaval a maioria das pessoas acham que o carnaval é uma festa sem importância mas nem imaginam como o carnaval alem de cultural movimenta nossa cultura aqui em são paulo por exemplo o carnaval só perde para a formula 1 em faturamento carnaval é cultura, arte e lazer sim.

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  5. MARCUS LEANDRO DE SOUZA ANDRADE2 de março de 2011 14:44

    Parabéns pelo blog....muito interessante e nostalgico...

    abraço!

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  6. Anderson N. de Camargo3 de março de 2011 10:02

    Parabéns pelo blog! Hoje nada melhor do que a internet para a veiculação de ideias.
    Sucesso!

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